Já quase no fim dessa saga-aventura, os dois amigos tinham ainda uma chance de fugir do perigo. Afinal, “os homens de terno” ainda não tinham entrado na casa. Mas, e se eles não quisessem fazer mal aos dois? E se eles pudessem ajudá-los?
Mas eles nem pensaram nisso. Se fosse eu, também não arriscaria.
- O que vamos fazer? – Perguntou Henrique.
- Não sei. Só sei que não temos muito tempo.
- Onde está o mago?
- Com certeza ele deve ter fugido. Mas o que importa é que a encontramos. Fique aqui na porta, eu vou falar com ela.
- John, eles vão subir! Olhe pela janela. Estão tentando abrir a porta. A gente tem que se esconder!
- Não. Eu preciso falar com ela.
Antes que Henrique continuasse a falar, John andou uns 15 passos e chegou até a jaula. A menina nem olhou. Continuou cantando bem baixinho.
- Mary? – Segurando a grade, ele insiste. – Sou eu, John. Olhe pra mim.
Com um pequeno movimento, Mary olhou. Ouviu-se uma porta sendo arrombada.
John fez um sinal de silêncio e se escondeu atrás da porta com Henrique.
Os homens subiram as escadas, abriram a porta e olharam para o quarto escuro. Mas por incrível para o espanto ou sorte dos dois, os homens não viram a menina. Recuaram e partiram para o outro quarto.
Num alívio, John e Henrique saíram de trás da porta e foram direto para a jaula.
Mary levantou seu pequeno rosto sujo e olhou para os dois.
Henrique observou atentamente John e ela, como eles se olhavam e não diziam nada.
- Mary?
- Você é outro mago?
-Não. Sou John. Não se lembra de mim?
- John? Não. Não é o John. O meu amigo John não é velho.
Henrique interrompe:
- Eu não disse? Você está muito velho, meu caro. Nem ela te reconheceu!
John olhou para o amigo com seriedade, mas depois deu um sorriso discreto e continuou com a menina.
- Vamos, tente se lembrar…
- Eu me lembro do John, mas de você não.
- Mary, sou ele! O que aconteceu com você?
- Acho melhor você ir.
Henrique interrompe novamente:
- John, uma boa noticia: Eles estão indo embora!
- Vamos tentar tirá-la daqui. – Disse John se levantando.
- Eu te ajudo.
Tentaram de várias formas abrir a jaula, mas nada foi possível.
Mary não parecia que estava acreditando nos dois.
Começou a gritar.
- Shiiii!!! Não grite! Eu vim pra te ajudar!
Um vulto passou pelo quarto e sem perceberem, o mago apareceu no quarto do nada. Provavelmente, usou sua pulseira.
John e Henrique ficaram de costas para a jaula e de frente para o mago.
- Aonde vocês vão? –Perguntou ele.
- Vamos sair desse lugar. Vamos pra casa!
- Isso não vai ser possível.
- Mas você prometeu
- É, mas eu não costumo cumprir minhas promessas.
- Você não vai segurar a gente aqui.
Ouviram um barulho de ferragens
A porta da jaula se abriu.
Era Mary saindo da gaiola sem a ajuda de ninguém.
- Mary? – John perguntou. – Como conseguiu sair?
- Eu disse que era melhor vocês irem embora. – Respondeu friamente.
- Mas como…?
- John – Interferiu Henrique – Você deveria ter me ouvido.
- Mary, olha pra mim! O que há com você?
O mago começou:
- Eu tive que fazer o possível e o impossível pra encontrar vocês e conseguir de volta a minha caixa.
Ela, eu tive que deixar aqui por vários dias até descobrir onde você estava. Até que descobri e mandei a caixa com outros objetos pra você usá-los e vir ao meu mundo. Só assim eu poderia ter minhas coisas de volta. Mas como ela não poderia ficar no meu mundo, tive que prendê-la até você aparecer.
- Mas eu deveria ir para o passado, não para o futuro, já que você fez os objetos iguais os da Mary.
- O encanto de errado.
- Olha, eu peço. Deixe a gente ir embora. Não entendo o porquê de você nos prender aqui. Não vai ganhar nada com isso.
- Vocês não entendem… Eu não posso deixá-los irem. Os magos precisam saber que vocês estavam envolvidos na história.
- Como assim, “nós”? Você que está envolvido, nós não!
- Isso eles não precisam saber. Vocês não têm idéia de como um infrator da terra dos magos podem pagar pelos seus erros. E sozinho eu não vou. Aliás, vocês vão no meu lugar.
- O que? – Espantou John.
- Ah não… Eu falei… Parecia que estava adivinhando! John! Ele nos fez cair na armadilha! Você não está vendo isso?
O mago não era um vilão terrível como nos filmes infantis onde tem a bruxa má.
Ele só queria se livrar do castigo pelo erro de querer ser melhor que o Mago Superior.