Ah, Cala essa boca!

“Porque todo ponto de vista depende da vista do ponto.”

Nova residência

31 de outubro de 2008

É chegado e tempo de mudanças!
Depois de uma conversa com o Pércio sobre mudanças, decidi
pesquisar lugares.
Encontrei uma casinha nova e bem espaçosa pra deixar minhas idéias esquisitas e que amo tê-las, pra quem quiser observá-las. Lá não vai mudar muito o conteúdo e sim o espaço e a estética.

E este será o último post arquivado aqui. E tenho certeza que algumas coisas vão ser diferentes e melhores. E é melhor também eu parar por aqui e terminar de encaixotar as coisas porque o caminhão de mudanças já está de saída!

Nos vemos em breve e em casa nova. Se quiser mandar uma carta ou ir me visitar ficarei muito grato e feliz.
Vou anotar o endereço aqui:

http://vista-do-ponto.blogspot.com/

///

"Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças! As pirâmides que novamente construíste Não me parecem novas, nem estranhas; Apenas as mesmas com novas vestimentas."
 William Shakespeare
 
///
 
"Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lugar da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, Procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente… "

Clarice Lispector

Luzes, câmera…

14 de outubro de 2008

Sempre amei cinema.
Minha vida é rodada pelo rolo de aventuras, dramas, terrores e romances.

Desde pequeno, me via como um protagonista de qualquer produção. O mocinho, o herói, mas nunca o figurante. O figurante não é nada mais, nada menos que mais um. O tapa buraco. O enche lingüiça. A pessoinha lá do fundo, que ninguém sabe o nome, nem suas origens, nem suas paixões, nem seu gosto musical. Isso não tem a menor graça!

Conheci pessoas em minha vida que, de figurantes, se tornaram em meus heróis. Conheci pessoas que de figurantes, se tornaram meus atores- coadjuvantes. Outras que também de figurantes se tornaram os antagonistas que, esses prefiro nem comentar. Outros começarão a ter seus papéis principais, basta esperar o decorrer do filme.

É essa minha vida cinematográfica, que sempre assisto, me comovo, dou várias gargalhadas, choro e me assusto. E o melhor: Ela tem um autor, que não sou eu, que às vezes não me deixa dirigir a minha superprodução, mas me dá a oportunidade de escolher algumas cenas que devem ser rodadas.

Vejo que meu Autor também não gosta da Idéia de eu ser algum figurante. Desde pequenino, ele sussurra aos meus ouvidos dizendo que serei um dos protagonistas dessa história em que vivemos. Às vezes eu ria do que ele falava, mas levava (e levo) a sério no final de tudo. Não é egocentrismo meu, e sim uma coisa pessoal.

Ele me quer como protagonista, e nisso comecei a pensar e levar mais a sério, como na igreja que frequento, ou no meio de pessoas que não o conhecem. Ele precisa de pessoas que se arrisquem, que não prefiram dublês na hora da ação. Ele procura por pessoas que talvez se escondam por trás das cortinas ou dos holofotes. Por pessoas que ensaiam fazer bonito no espelho mas são tímidas quando se depara com dezenas de pares de olhos.

 

 

Fico pensando se o meu filme fará sussesso em bilheterias, mas se não fizer, tembém não tem problema. O importante é colocar suas idéias em prática e tentar mostrar paras as pessoas o que você pensa, e assim elas poderão te seguir como exemplo.

Talvez ele queira que você também seja o protagonista do seu filme, não sei. Não tenho a mínima idéia do que ele pensa. Mas o negócio é o seguinte, dirija sua produção e deixe que ele produza e dê a opinião em tudo! Dependendo, Ele faz um teste com você e você passe, e acaba virando um pop star!

Epitáfio

10 de outubro de 2008

***Mônica tinha saído de casa pra encontrar com o namorado que chegaria de Londres.

Lúcio tinha saído de casa pra ir à igreja.

***Mônica tinha 30 anos, era feliz, sempre otimista e gostava de cães como ninguém. Talvez gostasse mais deles do que dos humanos. Isso deve-se à falta de confiança às pessoas que ela alimentou durante a vida.

Lúcio tinha 55, era cristão, inteligentíssimo, amava sua família e não gostava de cães. Isso deve-se a um trauma de criança.
Às vezes tinha alguns problemas com a família por trabalhar muito e não ter tempo suficiente para dar atenção. Mas apesar disso, tudo lhe era muito bom. Tinha uma boa renda, seguia uma religião desde pequeno, tinha filhos bons que o amava e raras foram as vezes que apareceram problemas insolúveis.

/ / /

Avenida 28, 18:45h.
Lúcio seguia sentido sul, e Mônica sentido Norte.
Um caminhão carregando Tubos de alumínio tenta desviar de um carro.
O motorista do caminhão perde o controle e bate de frente com um carro que estava na outra pista.
O caminhão tomba e todos os tubos são lançados em grande velocidade por vários lados das pistas.
Mônica não consegue frear a tempo e colide com o carro de Lúcio.
Ela é lançada do próprio carro e cai no painel do carro de Lúcio.
No meio do engavetamento, os tubos são lançados sobre vários carros, inclusive o de Lúcio e de Mônica.
Um dos tubos atravessa o corpo de Mônica e de Lúcio ao mesmo tempo.

Foram levados para o hospital todos os acidentados.
Os dois foram os únicos, por incrível que pareça, que não desmaiaram. Ficaram o tempo todo acordados e de frente um para o outro sentados na maca. Não tinha como se mover pelo fato de estarem dividindo o mesmo tubo encravado nas suas entranhas.
O médico chegou para examiná-los e passando um metal nos pés de Lúcio diz:
- Está sentindo isso?
- Sim.
- Mexa os dedos do pé agora.
Eles mexeram.
Mônica apresentendo um pouco de entusiasmo diz:
- E o meu, está mexendo? Olha. - (Os dois não conseguiam mexer o pescoço para ver os pés.)
O médico olhou, franziu a testa e respondeu:
- Sim, está.
Mas não estava.
O médico mudou o assunto:
- Teremos de operá-los o mais rápido possível, pois podem se infectar gravemente com o tubo.
Lúcio interrompe:
- Vamos sobreviver?
- Faremos o possível. Tiraremos o tubo e tentaremos bloquear a hemorragia.
O médico sai da sala e chama a cirurgiã:
- Um deles morrerá. Quando tirarmos o tubo, a hemorragia vai ser rápida e muito difícil vai ser da sobrevivência.
- Ok, tente salvar o que tiver menos complicações na cirurgia.

Realmente não foi possível evitar a grande hemorragia e, como o tubo atravessava a coluna vertebral de Mônica e na cirurgia perdera muito sangue, ela foi quem não resistiu e morreu.
Lúcio continuou sua vida normalmente depois de 10 meses.

Minutos antes da cirurgia, Mônica meio desfalecida, pergunta ao Lúcio:
- Você acredita no paraíso?
- Sim, claro!
Ela finaliza:
- Eu queria muito acreditar.

“Nada com nada!”

2 de outubro de 2008

01/10/2008 —- 6:50h
E eu já estava sem sono. Levantei da cama com os olhos ainda semi fechados, olhei no relógio mais de cinco vezes só para ver o quanto ja tinha passado, mas o ponteiro que marcava os segundos nem tinha dado uma volta inteira. Tive uma sensação estranha e resolvi deitar-me no sofá. Liguei a televisão, "Bom dia Rio". Comecei a prestar atenção no que a repórter falava, sei que era sobre como estava o clima hoje pela manhã. A voz da moça foi ficando distante, distante, distante… Quando percebi que estava de olhos fechados, eu os abri e no lugar da repórter do "Bom dia Rio", já estava a Ana maria Braga.
Quando levantei da cama a hora não passava de jeito nenhum, eu olhara pro relógio mais de cinco vezes em menos de um minuto, e quando decidi acordar de verdade pra ver o jornal, eu fecho os olhos e o jornal ja tinha sido substituído por um programa de culinária!

Ontem, tarde da madrugada, ou cedo, eu não via a hora de pegar no sono e levantar cedo, mas fiquei receoso se meu corpo e meu cérebro me obedeceriam. Mas o resultado foi semi positivo. Queria acordar cedo para aproveitar meu dia e colocar tudo no seu devido lugar. Tanto o meu quarto quanto minha mente. Logo que desliguei a TV, tomei café e fui logo para os três livros que estou lendo. A minha meta era ler uma boa parte dos três. Mas só um e meio consegui degustar. Ao som dos clipes musicais que costumo ouvir enquanto leio, fui tentando entender o motivo de tanto desconforto que foi meu dia. Não foi um grande desconforto, apenas foi, digamos, uma falta do que fazer.

Ter o que fazer às vezes é bom. Mas o que não fazer talvez nos ajude a pensar mais em coisas importantes, como por exemplo o tempo que percebi que estava sem ler a Bíblia. Muitos não se importam com isso, mas eu sinto algum desconforto quando lembro que há tempos não ponho a mão naquele livro preto. Minha vida andou tanto "desandada" ultimamamente, que minha cabeça deu pane.

Li o livro de João. Muito bom. Apesar de já estar "careca" de saber dessa história. Mas o interessante é que sempre lendo a mesma coisa, tenho algo diferente pra tirar pra refletir. Não vou ficar pregando aqui, nem citar o que eu li, ou o que eu achei. Só senti a necessidade de compartilhar esse dia de tédio que tive, com você que está lendo, por sabe-se lá o motivo, esse blog desse tal de Richard.

—— / / ——

Finalmente terminei mais uma história sem noção!!
Aos amigos que me acompanharam nessa, vai um OBRIGADO!

   

 

    John nem acreditou que tudo fora em vão. Isso o entristeceu muito. Mas não desistiu. Tentou de várias formas voltar a Babel através da caixinha de música, mas não foi possível. Depois de algum tempo, eles saíram do porão e a moça estava sentada no sofá já sem esperança da volta dos dois estranhos, e também não entendia nada.
Eles olharam para ela, mas parecia que não tinha percebido a presença dos dois. Logo viram que estava dormindo. Ela esperou tanto pelos dois que pegou no sono.
Eles evitaram qualquer contratempo e saíram de fininho da casa.
O carro e o mordomo já não estavam mais. Mas os dois se lembravam do caminho pra casa de John.
Chegando ao casarão, eles viram que o mordomo e o motorista estavam no jardim ligando para a família atrás de John e Henrique.
Mas tudo foi resolvido. Eles entraram, trocaram de roupa rapidamente e foram pro casamento.
Chegaram muito atrasados, a cerimônia já estava acontecendo.

- Eu pensei que iríamos para casa de verdade! – Diz Henrique sussurrando. – John! Temos que tirar esses sapatos e o relógio. Não quero ficar aqui para sempre. Quero aproveitar minha juventude. John! Está me ouvindo? Não estou brincando!
- Desculpe. Eu estava tendo um devaneio. O que dizia mesmo?
- Eu disse que quero voltar pra minha casa!
- Ah sim! Espere. No momento certo vamos voltar.

A mulher estranha que apareceu no início da história o avistou e se aproximou deles.

- John! Onde vocês estavam? John, onde está com a cabeça?
- Desculpe é que eu…

Um senhor os interrompe:
- Mary Jane, A noiva está chegando.

John e Henrique tiveram um baque.

- Mary Jane? É você?
- John! Pare de brincadeiras e vamos logo! Você tem que entrar com sua filha!

John deu um sorriso de realização e entrou com a noiva. Depois de muita festa e alegria, John deu um beijo em Mary Jane e outro em sua filha. Elas não entenderam a ação do pai. Ele chamou seu amigo Henrique e foram até o fundo da fazenda onde estava acontecendo a festa. Olhou para o amigo e disse:
- Obrigado por tudo! A hora é essa! Vamos?

Henrique deu um sorriso para o amigo e começou a tirar os sapatos enquanto John tirava o relógio. Logo as luzes e o barulho da festa do casamento sumiram e o barulho da festa do aniversário de Henrique apareceu.

- Estamos de volta John! – Gritou Henrique. – Mas a festa já está acabando pelo jeito…
- É meu caro Henrique, e parece que passamos tanto tempo fora.
- É verdade. Então vamos aproveitar!
- Henrique.
- Diga.
- Feliz aniversário!

Ao fim de tudo, John e seu amigo venceram a injustiça na mais louca aventura de suas vidas. Além de provar que não estava maluco quando disse que tinha que resgatar sua amiga.

Ela ainda estava usando o vestido da última vez que esteve no mundo onde nasceu. Estava muito sujo, claro. Seus cabelos lisos negros tinham se embaraçados em meio a tantas confusões e lutas. Mary Jane era uma menina doce, feliz e nunca colaborou com seu crescimento. Mas com toda essa reviravolta em sua vida ela já tinha até se esquecido de como era sorrir, brincar e fazer festa do pijama.

Mary voltou ao seu mundo num piscar de olhos e apareceu ao lado da caixa de madeira na casa de John e seu avô. Ele, lógico, ficou desesperado quando reencontrou a neta. Mas não havia tempo para choro nem emoções grandes. Ela explicou tudo bem pelos meios e o levou o mais rápido possível para a Terra de Babel.

- Mary? Como você…?

Sem respostas ao John ela começou:

- Aqui está a prova de que somos inocentes nessa história toda! Este é meu avô e junto com ele trouxe essa caixa que veio deste mundo. Tente ler o que está escrito.
“Ela grita por seu nome desesperadamente.”
Isso foi escrito por ele, para atrair John a esse mundo e cair na sua armadilha. Escrevendo isso ele ficaria mais desesperado e me procuraria o mais rápido possível.
Agora descobri tudo. Ele mandou a caixa para a casa de John, ele era o carteiro! Usando qualquer tipo de objeto da caixa, o faria avançar no tempo, e assim uma coisa o lavava a outra, mas ele não podia mudar o futuro. Então, cada ação de John no seu futuro era manipulada indiretamente por esse mago.

- Como você soube de tudo isso? – Perguntou um dos magos de terno.
- Com isso. – Tirando do bolso de seu vestido encardido, ela abre um pergaminho. – Tudo está escrito aqui. Isso foi tudo planejado com tempo. Isso aqui era o plano dele. Estão aqui as fórmulas para os encantos e os nossos nomes. Tudo. Passo a passo.

Ela parecia uma adulta falando. Não estava com mais medo nenhum.
Todos fizeram silêncio por um instante. Um dos magos pegou o pergaminho, analisou e olhou para o mago infrator.

- Você não foge mais.

Pegaram um pequeno frasco de spray e espirraram nas mãos e nos braços do mago, no mesmo instante a área atingida foi paralisada. Não conseguia sequer fazer um movimento com os membros superiores, o que impossibilitou a fuga ou qualquer tipo de reação.

O silêncio continuou. Ninguém conseguia dizer nada depois da ação da menina. O mago foi levado pelos outros companheiros da Associação que estavam na porta. Os outros dois ficaram para se desculparem e despedirem de John, Henrique e Mary Jane.

Um dos magos começou:

- Não sei como lhes pedir desculpas… Nós estávamos cuidando desse caso com muita cautela, pois nesse mundo não há nenhum tipo de inveja, nem maldade com os outros, e então ninguém poderia ficar sabendo disso.

O outro completou:

- E pensamos que vocês estavam envolvidos ativamente na infração. Quando acontece esse tipo de coisa, a pessoa é exilada para outro mundo que quase não há vida, para não transmitir a outros cidadãos de Babel.

- Sem problemas. – Respondeu John. – Como já vamos voltar ao nosso mundo, não tem problema.
- É. – Completou Henrique. – Só de pensar em voltar pra casa… Falando nisso, vamos?
- Tome – Entregou um dos magos uma pedra pontuda. – Assim que juntos colocarem as mãos nela, estarão de volta ao mundo de vocês.

E foi em poucos minutos que os amigos se despediram dos magos e se posicionaram para segurar a pedra.
John olhou para Henrique e Mary Jane e disse:
- No três?
Os dois acenaram com a cabeça.
- Um, dois…

Antes de terminarem o três, já estavam no porão ao lado da caixinha de música.

- Nossa! Nem acredito! – Suspirou Henrique.
John olha ao redor e diz:
- Onde esta Mary?
- Ela não veio!

CAIXA DE SURPRESAS - A lanterna

24 de setembro de 2008

Nesse penúltimo capítulo vou te contar algumas coisas: Mary Jane não estava louca e nem passou para o lado mal da história, acredite!
E o mago, com certeza tinha tramado tudo antes de John e Henrique irem para o futuro, entrarem na casa que no passado pegara fogo, e partirem para o mundo dos magos. E como se chamava o mundo dos magos? Mundo dos Magos? Não, é claro! A terra onde viviam pessoas que desconheciam a tristeza, que havia árvores gigantescas, pássaros enormes e tudo de bom que poderia haver se chamava BABEL, “A terra do impossível”.

O mago forçou os três entrarem na jaula, mas não foi muito fácil isso. John empurrava o mago enquanto Henrique se segurava na porta da gaiola gigante. Mary Jane só esperava o momento certo da ação.

- Vocês não vão sair daqui. – Disse o mago.
- Mas se eu quiser, é só tirar o relógio!
- É verdade! – Segurando pelo braço de Henrique, o mago continua. – Mas acho que você não vai querer ir sem seus amigos, certo?
- Não se eu…

Antes de terminar de falar, John avança no mago com tanta fúria que os dois e também Henrique caíram no chão. John Tentava enforcar o mago. Mas a intenção não era matar o quase vilão, porque John apesar de ser adulto, ainda tinha seu espírito de adolescente. Mas sua fúria não deixava pensar nisso.
Henrique não podia fazer nada porque estava debaixo dos dois. Tudo foi uma confusão só.
Mary Jane apenas olhava de uma certa distância quando viu pela janela ao longe um carro com o emblema da Associação dos Magos se aproximando. Sim. Eles voltaram.
Essa foi a hora da ação de Mary Jane:
Ela tirou do bolso uma pequena lanterna que tinha tirado da caixa do mago quando ainda estava no casebre, logo que fora raptada. Em um pequeno descuido ele não a viu mexendo em suas coisas e levando um objeto.
A menina pegou e acendeu em direção à janela. A luz da lanterna logicamente não era normal, afinal era dia ainda e o pequeno instrumento de metal iluminava toda a casa e um raio de luz saía pela janela chamando a atenção de todos que passavam por perto, inclusive o carro da Associação dos Magos que se aproximava.
Eles aumentaram a velocidade e viram que algo de errado havia acontecido, pois os encantos não poderiam ser feitos em qualquer lugar. Isso chamou mais ainda atenção deles.
Não demorou muito e já estavam na porta tentando entrar.
Assim que invadiram a casa, dois ficaram na porta e dois subiram os degraus envelhecidos.
Chegaram a tempo.
Avistaram o mago sendo enforcado por John, Henrique por baixo da confusão e Mary Jane segurando a lanterna.

- Então era aqui que vocês se escondiam? – Disse um dos magos de terno.
- Nós não! Ele! – Justifica John.
O mago não perde a oportunidade:
- Não estão vendo que eles me raptaram? Eles causaram tudo! Forçaram-me a roubar a caixa do Mago superior e levar para o mundo deles! Caso eu não fizesse, seria levado pro mundo deles!
- É mentira! – Protesta Henrique.
John se levanta do chão dizendo:
- Como vocês podem acreditar numa pessoa que sente inveja de seu superior e decide sabotá-lo, e seqüestrar uma menina de apenas 8 anos de idade, e deixá-la por vários dias presa numa jaula só com água e pão?!
Será possível que vocês não vão acreditar em nós? Acham que simplesmente entramos no mundo de vocês só para roubar uma caixa de madeira?!
Henrique completa:
- Não conhecemos vocês, nem sabemos como é possível entrarmos em outro mundo.
O que queremos, é voltar pra casa com a Mary…

Antes de terminar ele olha pra janela onde ESTAVA a menina.
Ela sumiu. Desapareceu. Como se nunca estivesse naquele lugar.
Ninguém percebera que ela não estava mais lá.
Mas antes de qualquer um começar a falar, ela estava de volta com seu avô e a caixa de madeira.
Como fez isso? Usou as pulseiras que havia pegado do mago na hora da confusão.

CAIXA DE SURPRESAS - A armadilha

23 de setembro de 2008

 Já quase no fim dessa saga-aventura, os dois amigos tinham ainda uma chance de fugir do perigo. Afinal, “os homens de terno” ainda não tinham entrado na casa. Mas, e se eles não quisessem fazer mal aos dois? E se eles pudessem ajudá-los?
Mas eles nem pensaram nisso. Se fosse eu, também não arriscaria.

- O que vamos fazer? – Perguntou Henrique.
- Não sei. Só sei que não temos muito tempo.
- Onde está o mago?
- Com certeza ele deve ter fugido. Mas o que importa é que a encontramos. Fique aqui na porta, eu vou falar com ela.
- John, eles vão subir! Olhe pela janela. Estão tentando abrir a porta. A gente tem que se esconder!
- Não. Eu preciso falar com ela.

Antes que Henrique continuasse a falar, John andou uns 15 passos e chegou até a jaula. A menina nem olhou. Continuou cantando bem baixinho.

- Mary? – Segurando a grade, ele insiste. – Sou eu, John. Olhe pra mim.

Com um pequeno movimento, Mary olhou. Ouviu-se uma porta sendo arrombada.
John fez um sinal de silêncio e se escondeu atrás da porta com Henrique.
Os homens subiram as escadas, abriram a porta e olharam para o quarto escuro. Mas por incrível para o espanto ou sorte dos dois, os homens não viram a menina. Recuaram e partiram para o outro quarto.
Num alívio, John e Henrique saíram de trás da porta e foram direto para a jaula.
Mary levantou seu pequeno rosto sujo e olhou para os dois.
Henrique observou atentamente John e ela, como eles se olhavam e não diziam nada.

- Mary?
- Você é outro mago?
-Não. Sou John. Não se lembra de mim?
- John? Não. Não é o John. O meu amigo John não é velho.
Henrique interrompe:
- Eu não disse? Você está muito velho, meu caro. Nem ela te reconheceu!

John olhou para o amigo com seriedade, mas depois deu um sorriso discreto e continuou com a menina.

- Vamos, tente se lembrar…
- Eu me lembro do John, mas de você não.
- Mary, sou ele! O que aconteceu com você?
- Acho melhor você ir.

Henrique interrompe novamente:
- John, uma boa noticia: Eles estão indo embora!
- Vamos tentar tirá-la daqui. – Disse John se levantando.
- Eu te ajudo.

Tentaram de várias formas abrir a jaula, mas nada foi possível.
Mary não parecia que estava acreditando nos dois.
Começou a gritar.

- Shiiii!!! Não grite! Eu vim pra te ajudar!

Um vulto passou pelo quarto e sem perceberem, o mago apareceu no quarto do nada. Provavelmente, usou sua pulseira.
John e Henrique ficaram de costas para a jaula e de frente para o mago.

- Aonde vocês vão? –Perguntou ele.
- Vamos sair desse lugar. Vamos pra casa!
- Isso não vai ser possível.
- Mas você prometeu
- É, mas eu não costumo cumprir minhas promessas.
- Você não vai segurar a gente aqui.

Ouviram um barulho de ferragens
A porta da jaula se abriu.
Era Mary saindo da gaiola sem a ajuda de ninguém.

- Mary? – John perguntou. – Como conseguiu sair?
- Eu disse que era melhor vocês irem embora. – Respondeu friamente.
- Mas como…?
- John – Interferiu Henrique – Você deveria ter me ouvido.
- Mary, olha pra mim! O que há com você?

O mago começou:

- Eu tive que fazer o possível e o impossível pra encontrar vocês e conseguir de volta a minha caixa.
Ela, eu tive que deixar aqui por vários dias até descobrir onde você estava. Até que descobri e mandei a caixa com outros objetos pra você usá-los e vir ao meu mundo. Só assim eu poderia ter minhas coisas de volta. Mas como ela não poderia ficar no meu mundo, tive que prendê-la até você aparecer.

- Mas eu deveria ir para o passado, não para o futuro, já que você fez os objetos iguais os da Mary.
- O encanto de errado.
- Olha, eu peço. Deixe a gente ir embora. Não entendo o porquê de você nos prender aqui. Não vai ganhar nada com isso.
- Vocês não entendem… Eu não posso deixá-los irem. Os magos precisam saber que vocês estavam envolvidos na história.
- Como assim, “nós”? Você que está envolvido, nós não!
- Isso eles não precisam saber. Vocês não têm idéia de como um infrator da terra dos magos podem pagar pelos seus erros. E sozinho eu não vou. Aliás, vocês vão no meu lugar.
- O que? – Espantou John.
- Ah não… Eu falei… Parecia que estava adivinhando! John! Ele nos fez cair na armadilha! Você não está vendo isso?

O mago não era um vilão terrível como nos filmes infantis onde tem a bruxa má.
Ele só queria se livrar do castigo pelo erro de querer ser melhor que o Mago Superior.

“Quando você é pequeno, o tempo é grande; E quando você é grande, o tempo é pequeno.”
Quando li essa frase, concordei no ato. Mas, se você tem o impossível em suas mãos, não importa se o tempo é pequeno ou grande para resgatar algo ou alguém que você ama e perdeu.

- John? Não estou me sentindo muito bem…
- Eu também não.
- É um efeito colateral do feitiço, mas logo passa. – Explicou o mago.

Eles simplesmente apareceram no casebre do mago assim que colocaram a pulseira.
John, depois de se recuperar do enjôo, levantou-se do chão e disse limpando a roupa:
- Bem, já estamos aqui. Então é melhor você nos levar até Mary Jane, e de lá voltamos para casa.

Henrique teve até um suspiro.

- É lógico. Trato é trato. – Consentiu o mago.
- Então vamos. Estou louco para vê-la.
- John – disse Henrique segurando o amigo pelo braço. – Como será a reação dela ao encontrar com você? Ela, pelo o que você me disse, está pequena.
- Não tem problema. Só em pensar que voltarei a vê-la…
- Vamos? – Interrompeu o mago.

E foram os três até onde estava a menina.

Saíram do casebre vestindo casacos grandes para que ninguém os visse.
Andaram uns 2 km por uma estrada molhada pelos dias chuvosos da terra dos magos. Tudo era tão diferente, e igual ao mundo nosso. Eles viram que os pássaros eram bem maiores do que o normal. As árvores tinham em média 50 metros de altura. As pessoas andavam sorrindo como se tivessem recebido a melhor notícia da vida delas, não havia UMA mal-humorada.
John e Henrique observavam as diferenças dos dois mundos entusiasmados. O mago, sempre andando olhando pro chão. Ele era muito misterioso, não falava muito. Não se sabia se ele estava tão sério pela traição que cometeu ou pelo castigo que receberia.

- Chegamos. – Disse ele. – Fica bem ali, entre aquelas duas casas.

A casa era melhor do que o casebre, mas era abandonada. Os dois pensavam que seria a casa do mago, mas não. Ele também não seria nenhum bobo de deixar a menina raptada de outro mundo em sua casa.
Eles entraram no quintal e logo se depararam com os enormes girassóis que havia no quintal vizinho. Chegaram à porta e entraram.
O mago mandou-os entrar e subirem ao 2° andar. Eles subiram.
Os degraus da casa estalavam a cada passo. O cheiro da casa era de piano velho.

Eles entraram pela primeira porta que viram. Era a própria. Num zunido de dobradiça
Sendo movida, eles pararam. O quarto era escuro e havia uma jaula enferrujada ao fundo. Uma voz doce de criança soava pelo cômodo cantando mansamente. A Música não se sabia definir.
Os cabelos da menina vazavam pelo lado de fora da jaula. Cabelos lisos e compridos, sujos e enroscados. Ela, quase não tinha voz de tanto gritar e pedir por socorro.
O coração de John Saltou.

- Mary?

(Silêncio)

Henrique estava na olhando pela janela quando deu um grito.

- John! Eles nos encontraram! Estão abrindo o portão!

O mundo do Mago era de pessoas perfeitamente inteligentes e colaboradoras para aperfeiçoar cada vez mais a convivência de todos os habitantes. Nunca houvera um problema como esse. Alguém querer ser melhor que o outro. Sanar esse tipo de problema foi preciso ter muita cautela, para não acontecer nenhum tipo de injustiça. Mas John e Henrique não sabiam disso.

O mago planejou:
- Vamos fazer o seguinte: Vocês vão me acobertar enquanto eu vou até a sala no final do corredor. Se caso alguém aparecer, vocês vão até a sala onde estarei. Fiquem sentados no chão perto da porta. Assim que ouvirem passos se aproximando, corram até mim.
- Mas, e se não conseguirmos? – Desconfiado perguntou Henrique.
- Ora, não tem erro. Eu sei que é complicado, mas acreditem em mim.
John tomou a iniciativa:
- Henrique, é nossa única saída. Vamos rápido!

O mago saiu de fininho da sala e deslizou pelo corredor comprido. Os dois amigos
Ficaram na espreita. Qualquer movimento fora da sala seria a hora da ação. O coração deles estava levantando suas veias do pescoço.

- John, o que eles vão fazer com a gente?
- Sei lá. Experiências?
- Pára com isso!
- Você me perguntou e eu te respondi.
- Eu só queria voltar. Ter tudo de volta.
- É. Eu também. Mas eu queria todos de volta, e não tudo. Sabe, Não é só a Mary Jane que me faz falta. A Lucy, Leon, Luna também fazem. Eu só queria que tudo voltasse ao normal, mas como antes, na nossa infância. Não me arrependo de ter passado por tudo isso, apesar de Mary desaparecer. Mas temos que pensar pelo lado positivo. Veja. Estamos a um passo de resgatar Mary. Assim que a encontrarmos…
- Shiiii!!! Escute!
- Meu Deus! Passos!
- São eles! Corre!

Assim que os homens se aproximaram eles correram entre as pernas dos mesmos e partiram para o fim do corredor. Houve uma confusão. Todos correndo atrás dos dois amigos intrusos no mundo dos magos. John correu na frente e Henrique ficou para trás.

- John! John! Eles me pegaram! Me ajude!

John ficou a um passo da porta do fim do corredor. Os outros de terno estavam quase chegando perto. Ou entrar ou ser pego.
- John! John!

Deixar seu amigo companheiro nessa aventura, não era muito simples de se fazer.
E é lógico que não fez.

- Henrique, Segura minha mão!

John correu até o amigo e puxou pelo casaco enquanto os homens o seguravam pelos braços e pernas, mas conseguiu se soltar por alguns instantes, o que deu tempo para puxar Henrique pra dentro da sala. A porta foi fechada.

- Pensei que vocês não viriam logo! – O mago deu um susto.- Peguem essas pulseiras.
- Hã? – Henrique indagou com a respiração ofegante – O que você quer fazer com isso?
- Vamos Henrique, ponha logo! – Cortou John.

O mago:
- Vamos no três. Um, Dois…

Em uníssono:

- Três!

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